Menopausa | O cuidado deveria começar muito antes
A menopausa não começa quando termina a menstruação.Ela faz parte de uma história que começou muitos anos antes.
Hoje fala-se muito mais de menopausa, e ainda bem.
Fala-se de afrontamentos, alterações do sono, mudanças de humor, sexualidade, peso, saúde óssea, cardiovascular e metabólica. Fala-se de acompanhamento médico, de diferentes abordagens terapêuticas e, cada vez mais, ouvimos uma palavra que durante muitos anos esteve ausente das conversas de muitas mulheres: peri menopausa.
A peri menopausa não é apenas um novo nome para a menopausa. É a fase de transição que a antecede, durante a qual podem começar alterações hormonais, modificações no ciclo menstrual e diferentes manifestações físicas e emocionais.
Dar nome às diferentes fases é importante.
Ter mais conhecimento é importante.
Reconhecer aquilo que durante demasiado tempo foi desvalorizado também é importante.
Mas talvez exista uma pergunta anterior a todas estas:
Porque esperamos tantas vezes pela menopausa para começar a ensinar uma mulher a prestar verdadeira atenção ao seu corpo?
Porque antes da mulher que chega à menopausa existiu uma menina.
E talvez seja precisamente aí que esta conversa deva começar.
Antes da menopausa existiu a primeira menstruação.
A primeira menstruação — chamada menarca — representa uma das grandes transições da vida da mulher.
Mas nem todas as meninas recebem essa transformação da mesma maneira.
Para algumas, é algo esperado e compreendido.
Para outras, chega acompanhada de medo, vergonha, desconforto, rejeição ou incompreensão.
Há meninas que rejeitam aquele novo ciclo.
Que não querem menstruar.
Que sentem vergonha.
Que escondem o que lhes está a acontecer.
Que olham para as mudanças do corpo com estranheza.
E algumas podem sentir que alguma coisa mudou sem que ninguém as tenha verdadeiramente preparado para essa transformação.
Por isso, talvez devêssemos perguntar:
Como se falou da menstruação com aquela menina antes de ela menstruar?
Foi-lhe explicado aquilo que iria acontecer?
Houve espaço para perguntas?
Foi-lhe transmitida naturalidade?
Ou cresceu a ouvir que menstruar era “uma chatice”, que as mulheres tinham de sofrer, que as dores eram normais e que agora teria simplesmente de se habituar?
Porque uma menina não recebe apenas uma transformação fisiológica.
Recebe também informação sobre aquilo que essa transformação significa.
Aquilo que acontece e aquilo que aprendemos sobre o que acontece
Esta distinção é fundamental no MIVS.
Existe aquilo que está efetivamente a acontecer no organismo.
E existe a forma como cada pessoa interpreta, sente e responde àquilo que está a acontecer.
Uma primeira menstruação vivida com medo, vergonha ou rejeição não significa automaticamente a existência de um trauma.
O trauma é uma realidade complexa e não deve ser utilizado como explicação para todas as experiências difíceis.
No entanto, determinadas vivências, sobretudo quando intensas, repetidas ou atravessadas sem recursos, informação, acolhimento ou segurança suficientes, podem deixar marcas emocionais importantes.
E é precisamente aí que podemos começar a reparar:
Que informação ficou associada àquela experiência Lá Dentro?
Se uma jovem começa a relacionar a menstruação com dor, vergonha, limitação ou rejeição do próprio corpo, essa informação pode participar na forma como vai construindo a sua relação com o feminino e com as transformações corporais.
Não significa que essa experiência determine aquilo que acontecerá décadas mais tarde.
Mas significa que começou ali uma história.
Talvez a educação para a saúde feminina devesse começar na adolescência
Preparar uma menina para a primeira menstruação deveria significar muito mais do que explicar como utilizar um penso higiénico.
Deveria significar, ensinar-lhe a compreender o próprio ciclo.
Explicar-lhe as transformações que estão a acontecer.
Falar sobre emoções.
Ensinar-lhe que dor intensa ou persistente não deve simplesmente ser suportada porque “as mulheres são assim”.
Falar de alimentação, sono, movimento, sexualidade, saúde emocional e reprodutiva.
Dar-lhe espaço para dizer:
“Tenho medo.”
“Não gosto disto.”
“Não percebo o que está a acontecer comigo.”
E poder responder-lhe:
“O teu corpo não está a fazer nada de errado. Está a entrar numa nova fase e vamos ajudar-te a compreendê-la.”
Talvez o cuidado comece exatamente aqui.
Não quando aparece um problema.
Mas quando começa uma transformação.
Depois, essa menina torna-se mulher
E a vida continua.
Chegam relacionamentos, sexualidade, contraceção, possíveis gravidezes, pós-partos ou perdas gestacionais.
Chegam responsabilidades.
Trabalho.
Família.
Stresse.
Noites mal dormidas.
Alterações de peso.
Doenças.
Medicação.
Mudanças emocionais.
Cuidar dos filhos.
Cuidar dos pais.
Cuidar de todos.
E, tantas vezes, colocar-se no fim da lista.
Quantas mulheres passaram décadas a ouvir o corpo apenas quando ele já não lhes permitia continuar da mesma forma?
Havia dores e era preciso trabalhar.
Havia cansaço e era preciso continuar.
Havia alterações emocionais e eram “as hormonas”.
Havia ciclos menstruais difíceis e dizia-se:
“É normal. Ser mulher é assim.”
E, pouco a pouco, algumas mulheres aprenderam:
quando o corpo incomoda, silencia-se.Quando pede atenção, adia-se.Quando já não permite continuar, finalmente escuta-se.
E talvez seja necessário questionar esta forma de cuidar.
Então chegamos à peri menopausa
Algures ao longo deste percurso, o organismo começa uma nova transição.
Hoje chamamos-lhe peri menopausa.
Reconhecer esta fase permite que a mulher compreenda melhor determinadas alterações e procure acompanhamento quando necessário.
Isso representa um avanço.
Mas talvez possamos ir um pouco mais longe.
Porque não basta dar novos nomes às diferentes fases da vida feminina.
Precisamos também de ensinar a mulher a reconhecer-se dentro dela.
Menarca.
Idade reprodutiva.
Possíveis gravidezes e pós-partos.
Peri menopausa.
Menopausa.
Pós-menopausa.
Não são acontecimentos isolados.
São capítulos da mesma história.
Genética, epigenética e história familiar
Quando falamos da influência familiar na forma como uma mulher chega à menopausa, é importante não olharmos apenas para a genética.
A genética corresponde à informação biológica que recebemos através do DNA. Sabemos que características familiares podem ter influência em diferentes aspetos da saúde e também na idade em que ocorre a menopausa.
Mas existe ainda outro conceito importante: a epigenética.
A epigenética ajuda-nos a compreender que possuir determinados genes não significa que todo o seu funcionamento esteja rigidamente determinado desde o nascimento. Existem mecanismos biológicos capazes de regular a atividade dos genes sem modificar a própria sequência do DNA, e essa regulação relaciona-se com múltiplos fatores ao longo da vida.
Idade, ambiente, alimentação, atividade física, exposições e diferentes condições fisiológicas podem participar nesses processos.
Isto traz-nos uma visão particularmente interessante:
herdar uma determinada predisposição não significa necessariamente ter um destino escrito.
Contudo, é igualmente importante não transformar a epigenética numa explicação para tudo.
Ainda não podemos afirmar que medos, crenças ou traumas vividos pelas mulheres de gerações anteriores sejam transmitidos epigeneticamente às descendentes e sejam responsáveis pelo agravamento dos sintomas da menopausa.
Quando falamos de ancestralidade no MIVS, podemos olhar para diferentes dimensões sem as confundirmos:
há aquilo que pode ser herdado biologicamente; há aquilo que pode ser influenciado pela interação entre biologia e ambiente ao longo da vida; e há aquilo que aprendemos através da família, da cultura, das palavras, dos comportamentos e das experiências.
Uma mãe não transmite apenas genes à filha.
Também pode transmitir formas de cuidar do corpo, hábitos alimentares, relação com o movimento, crenças sobre envelhecimento, maneiras de lidar com o stresse e histórias sobre aquilo que significa menstruar, ser mulher ou chegar à menopausa.
E estas diferentes dimensões podem encontrar-se na história de uma mesma pessoa.
Por isso, no MIVS, a pergunta não precisa de ser:
“O que herdei e estou condenada a repetir?”
Talvez seja mais útil perguntar:
“O que faz parte da minha predisposição biológica, o que fui construindo ao longo da vida e o que aprendi através da história das mulheres que vieram antes de mim?”
Porque compreender a nossa história não significa ficar presa a ela.
Significa trazer informação à consciência para podermos cuidar melhor daquilo que somos A Partir Daqui.
E existe também a história das mulheres que vieram antes
Quando uma mulher chega à menopausa, não chega apenas com o seu corpo.
Chega com décadas de experiências.
E pode chegar também com aquilo que aprendeu através da família, da sociedade e, particularmente, das mulheres que fizeram parte da sua vida.
Talvez tenha ouvido a mãe dizer:
“Quando chegares à menopausa vais perceber.”
Talvez tenha ouvido:
“Depois dos 50 começa tudo a aparecer.”
Ou:
“Na nossa família todas sofremos muito com a menopausa.”
Talvez tenha visto a mãe atravessar esta fase com grande sofrimento.
Talvez tenha ouvido histórias da avó.
Ou talvez nunca ninguém tenha falado sobre o assunto.
Porque o silêncio também transmite informação.
Quando falamos de ancestralidade no MIVS, não precisamos de afirmar que um afrontamento, uma insónia ou qualquer outro sintoma é provocado por um trauma ancestral.
Não é essa a proposta.
Existem alterações fisiológicas reais associadas à transição menopausa e estas não devem ser negadas ou reduzidas a uma explicação emocional.
Mas a história familiar pode chegar até nós por diferentes caminhos.
Existe a componente genética e biológica.
E existem também crenças, comportamentos, hábitos, expectativas, medos, silêncios e formas de interpretar o feminino que podem ser aprendidos e transmitidos entre gerações.
Por isso, talvez possamos perguntar:
O que aprendi sobre ser mulher através das mulheres que vieram antes de mim?
Quando o medo chega antes da experiência
Imagine uma mulher que durante anos ouviu:
“A menopausa é terrível.”
Muito antes de o seu organismo entrar nessa fase, já existe uma representação daquilo que poderá acontecer.
E quando começam as primeiras alterações, pode surgir:
“Será que já começou?”
Uma noite mal dormida ganha imediatamente outro significado.
Uma alteração menstrual desperta preocupação.
Surge um primeiro afrontamento e aparece a confirmação:
“É isto. Agora começou.”
A partir daí, algumas mulheres podem tornar-se mais atentas e preocupadas com cada alteração.
Quando. Reparares, já não existe apenas aquilo que o corpo está a fazer.
Existe também a expectativa sobre aquilo que poderá fazer a seguir.
O medo.
A antecipação.
A atenção permanentemente dirigida para as sensações corporais.
A preocupação com o próximo sintoma.
E sabemos que ansiedade, stresse, expectativa e Hiper vigilância podem influenciar a forma como percebemos e toleramos determinadas sensações corporais.
Isso não significa que os sintomas sejam imaginários.
Muito menos significa que “estão na cabeça da mulher”.
Significa que corpo, emoção, atenção e interpretação não funcionam como mundos completamente separados.
Uma manifestação fisiológica pode ser real e, simultaneamente, a experiência subjetiva dessa manifestação pode ser influenciada pelo contexto em que é vivida.
Esta diferença é essencial.
A experiência da minha mãe não tem necessariamente de ser a minha
Talvez aqui exista uma das maiores oportunidades de consciência.
Uma mulher pode reconhecer:
“A minha mãe viveu desta forma.”
“A minha avó acreditava nisto.”
“Na minha família sempre se falou da menopausa assim.”
“Foi esta a informação que recebi.”
E depois acrescentar:
“Mas essa história não precisa de antecipar a minha experiência.”
Isto não apaga a genética.
Não impede a menopausa.
Não significa que não existirão sintomas.
E não substitui acompanhamento médico.
Significa apenas que a mulher pode começar a distinguir:
O que está realmente a acontecer no meu corpo?
O que estou a sentir perante aquilo que está a acontecer?
E o que eu já esperava que acontecesse porque foi essa a história que ouvi?
Talvez honrar as mulheres que vieram antes de nós não seja repetir exatamente a forma como elas viveram.
Talvez seja reconhecer que fizeram aquilo que conseguiram com os conhecimentos, recursos e circunstâncias que tinham.
E permitir que A Partir Daqui, com mais informação e consciência, alguma coisa possa ser vivida de maneira diferente.
A menopausa faz parte da natureza da mulher
Precisamos também de retirar da menopausa a ideia de avaria.
A menopausa não é uma doença.
É uma transição fisiológica natural.
Isso não significa, contudo, que devamos romantizá-la.
Há mulheres que atravessam esta fase com poucas manifestações.
Outras apresentam sintomas capazes de afetar significativamente a sua qualidade de vida.
Afrontamentos intensos são reais.
Alterações do sono são reais.
Alterações geniturinárias são reais.
Mudanças emocionais podem acontecer.
E existem questões relacionadas com saúde óssea, cardiovascular e metabólica que merecem atenção ao longo desta fase da vida.
Por isso:
Natural não significa que uma mulher tenha de suportar tudo sem ajuda.
Cuidar de forma integrativa: diferentes recursos, a mesma mulher
Procurar avaliação médica e conhecer as diferentes possibilidades de acompanhamento e tratamento também é autocuidado.
Mas cuidar de forma integrativa não significa ter de escolher entre a medicina e aquilo que a natureza nos oferece.
Significa perceber o lugar de cada recurso e, acima de tudo, olhar para a mulher como um todo.
Enquanto aromaterapeuta e terapeuta integrativa, acredito que esta fase pode ser acompanhada através de diferentes pilares, sempre de forma responsável, individualizada e complementar aos cuidados de saúde necessários.
A aromaterapia pode encontrar aqui o seu espaço. Os óleos essenciais, selecionados de acordo com a pessoa, o objetivo e as condições de utilização, podem ser integrados em diferentes rotinas de bem-estar, através da inalação, difusão ambiental ou aplicação tópica devidamente diluída. Mais do que procurar um “óleo para a menopausa”, interessa perceber o que aquela mulher está a viver e de que forma a aromaterapia pode contribuir para o seu conforto e bem-estar.
Podemos recorrer, por exemplo, a aromas associados a momentos de relaxamento e preparação para o sono, a outros que proporcionem uma experiência aromática mais revigorante e refrescante, ou simplesmente criar através do aroma um ritual diário de pausa, presença e autocuidado.
Também a suplementação pode, em determinadas situações, integrar esta abordagem. Mas “natural” não significa automaticamente adequado para todas as pessoas. Vitaminas, minerais, extratos vegetais e outros suplementos devem ser escolhidos de acordo com as necessidades individuais e tendo em consideração alimentação, medicação, condições de saúde, possíveis interações e, quando indicado, avaliação clínica ou analítica. O objetivo não deveria ser suplementar porque se chegou à menopausa, mas perceber se existe uma necessidade concreta e qual a forma mais segura de a acompanhar.
As terapias complementares podem igualmente ocupar o seu lugar. Técnicas de relaxamento, massagem, reflexologia e outras abordagens integrativas podem proporcionar momentos de pausa, consciência corporal e bem-estar, particularmente numa fase em que tantas mulheres sentem necessidade de voltar a escutar um corpo que durante anos foi colocado em segundo plano.
E talvez seja precisamente aqui que o MIVS acrescente uma pergunta diferente.
Não apenas:
“Que sintoma queremos retirar?”
Mas também:
“O que está esta mulher a viver nesta fase e de que recursos necessita para a atravessar com mais conhecimento, segurança e consciência?”
Os óleos essenciais não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Os suplementos não devem ser utilizados indiscriminadamente. E uma terapia complementar não deve afastar uma mulher dos cuidados médicos de que necessita.
Mas isso não significa que tenhamos de escolher entre diferentes mundos.
Podemos cuidar da alimentação.
Podemos cuidar do movimento e da saúde muscular e óssea.
Podemos cuidar do sono.
Podemos recorrer à aromaterapia.
Podemos integrar suplementação quando adequada.
Podemos receber uma massagem, recorrer à reflexologia ou a outras práticas complementares de bem-estar.
Podemos trabalhar a nossa relação com o corpo, as emoções, as crenças e aquilo que esta nova fase representa Lá Dentro.
E podemos, simultaneamente, realizar os exames necessários, ser acompanhadas pelos profissionais de saúde adequados e recorrer aos tratamentos médicos que, individualmente, possam ser indicados.
Uma abordagem não precisa de anular a outra.
Para mim, cuidar de forma integrativa é precisamente isto:
não procurar uma única resposta para uma mulher inteira.
É reunir conhecimento, prevenção, medicina, hábitos de vida e recursos complementares, respeitando os limites e o lugar de cada um.
Porque a menopausa não pede que escolhamos entre ciência e natureza.
Pede que saibamos cuidar, com conhecimento, responsabilidade, consciência e respeito pela singularidade de cada mulher.
O corpo não avariou. Está a transformar-se.
Talvez uma das maiores dificuldades associadas à menopausa esteja também naquilo que culturalmente fizemos dela.
O fim da juventude.
O fim da fertilidade.
O início da velhice.
A perda da feminilidade.
A perda do desejo.
Mas o fim da menstruação não representa o fim da mulher.
A sua criatividade não termina.
A sua sexualidade não tem necessariamente de terminar.
A sua capacidade de desejar, aprender, construir, amar, descobrir e transformar-se não termina.
O corpo está a entrar numa nova fase.
Tal como entrou quando surgiu a primeira menstruação.
É interessante reparar nesta circularidade:
quando a menstruação começa, algumas meninas têm medo porque o corpo está a mudar.
Décadas depois, quando começa a desaparecer, algumas mulheres voltam a sentir medo porque o corpo está novamente a mudar.
Talvez, então, exista uma aprendizagem que deveria acompanhar toda a vida:
aprender a atravessar as transformações do corpo sem transformar automaticamente a mudança numa ameaça.
Talvez tenhamos começado a cuidar tarde demais
Não porque seja tarde para começar aos 45, 50, 60 ou 70 anos.
Nunca é tarde para cuidar.
Mas porque a saúde feminina não deveria tornar-se prioridade apenas quando aparece a palavra menopausa.
O cuidado deveria começar muito antes.
Quando ensinamos uma menina a compreender a menstruação.
Quando investigamos uma dor em vez de lhe dizer simplesmente para suportar.
Quando falamos de sexualidade sem vergonha.
Quando acompanhamos a saúde ginecológica.
Quando damos importância ao sono.
Quando compreendemos o valor da alimentação e do movimento.
Quando protegemos a saúde muscular e óssea ao longo da vida.
Quando cuidamos da saúde emocional.
Quando fazemos prevenção.
Quando aprendemos a conhecer os nossos limites.
E quando deixamos de considerar autocuidado aquilo que faremos depois de cuidar de toda a gente.
Talvez seja necessário mudar a pergunta
Em vez de perguntarmos apenas:
“O que posso fazer agora que estou na menopausa?”
talvez devêssemos começar muito antes a perguntar:
“Como estou a cuidar da mulher que sou em cada fase da minha vida?”
Não para procurar culpados.
Não para responsabilizar uma mulher pelos sintomas que apresenta.
Não para dizer que, se tivesse pensado, sentido ou vivido de outra maneira, não estaria a passar por determinadas manifestações.
E muito menos para substituir medicina por interpretações emocionais.
Mas para acrescentar algo que considero essencial:
consciência.
No MIVS, falamos em reparar.
Reparar no corpo.
Reparar nas emoções.
Reparar no significado que atribuímos às experiências.
Reparar nas histórias que ouvimos.
Reparar naquilo que repetimos automaticamente.
E perguntar se essa informação continua a servir-nos A Partir Daqui.
Da primeira menstruação ao último ciclo existe uma mulher inteira
Talvez esta seja a verdadeira reflexão que quero deixar.
Uma menina que começa a menstruar não está doente.
Uma mulher que entra na peri menopausa não está avariada.
Uma mulher que chega à menopausa não perdeu a sua feminilidade.
São diferentes momentos de um organismo em transformação.
E talvez tenhamos passado demasiado tempo a intervir apenas quando alguma coisa incomoda, em vez de ensinar a mulher, desde cedo, a conhecer e cuidar do seu corpo.
Precisamos de falar com as meninas.
Precisamos de acompanhar as adolescentes.
Precisamos de escutar as mulheres adultas.
Precisamos de preparar a peri menopausa.
Precisamos de cuidar durante e depois da menopausa.
E precisamos também de escutar as histórias das mulheres que vieram antes de nós, não para ficarmos presas a elas, mas para percebermos aquilo que queremos levar connosco e aquilo que podemos viver de outra maneira.
Porque talvez prevenção também seja isto:
conhecimento antes do medo.Consciência antes da urgência.Cuidado antes do sofrimento.
A menopausa não deveria ser o primeiro momento em que dizemos a uma mulher:
“Agora precisa de cuidar de si.”
Essa conversa deveria começar muito antes.
Talvez no dia em que uma menina recebe o seu primeiro ciclo e alguém lhe diz:
“O teu corpo vai passar por muitas fases ao longo da vida. Aprende a conhecê-lo, a escutá-lo e a cuidar dele. Nenhuma dessas fases diminui a mulher que és.”
E talvez, décadas mais tarde, quando chegar à menopausa, ela possa olhar para esta nova transformação não apenas através daquilo que ouviu, temeu ou herdou, mas também através daquilo que aprendeu sobre si própria.
A menopausa faz parte da natureza da mulher.O cuidado também deveria fazer, desde o primeiro ciclo e muito para além do último.
Isabel Vieira da SilvaMIVS — Método Isabel Vieira da Silva





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